Acidentados de motos ocupam 70% dos leitos

Hospital atende cerca de 35 vítimas de acidentes com moto por dia; situação é tratada como epidemia na unidade

A reincidência é um fator preocupante. O hospital chega a receber pacientes que estão em sua terceira internação por acidentes com motos. Nestes casos, as lesões tendem a se agravar e o tempo de recuperação é mais longo
FOTO: JOSÉ LEOMAR
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Os acidentes de trânsito envolvendo motocicletas podem ser considerados um problema sem freio para a saúde pública do Estado. O maior hospital de traumas do Ceará, o Instituto Dr. José Frota (IJF), atende diariamente uma média de 35 acidentados. Esse número já chegou a 120 em apenas 24 horas. Hoje, 70% dos 461 leitos de internação da unidade são ocupados por pessoas que sofreram algum tipo de trauma com motos.

Em menos de cinco anos, mais de 50 mil motociclistas e passageiros foram atendidos na urgência do hospital. Em 2013, o IJF atendeu 6.300 pessoas vítimas de acidentes com motocicletas. Neste ano, de 1º de janeiro a 3 de novembro, o número subiu para 12.554 acidentados. Um crescimento de quase 100%. A situação chega a ser tratada como epidemia na unidade.

Um novo fator vem deixando os médicos em alerta. Há uma mudança no perfil das vítimas de acidentes de trânsito envolvendo motos. Se, na última década, quase 100% dos acidentados eram homens, na faixa etária de 18 a 40 anos, hoje o IJF recebe uma grande demanda de mulheres, crianças, adolescentes e idosos. A explicação pode estar no crescimento de mulheres habilitadas no Ceará. Segundo dados estatísticos do Departamento Nacional de Trânsito (Detran), 24.240 mulheres receberam a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A, que permite conduzir veículos motorizados de duas ou três rodas. No primeiro trimestre deste ano, elas foram responsáveis pela emissão de 51.714 habilitações.

Crianças e adolescentes muitas vezes são passageiros e, em algumas ocorrências, os acidentes estão ligados à condução ilegal de motocicletas, já que ainda não possuem idade para tirar a carteira de habilitação.

Entre os idosos, a grande maioria sofreu o acidente enquanto estava na posição de passageiro. O diretor médico do IJF, Osmar Aguiar, explica que estes casos requerem uma maior atenção por parte das equipes médicas. “Pela avançada idade, esses pacientes já dão entrada no hospital em estado mais grave e com outras doenças associadas. Isso acaba prejudicando a recuperação desses pacientes”, informa.

Os casos reincidentes também impressionam. O IJF chega a receber pacientes que estão em sua terceira internação por acidentes com motocicletas. Assim, as lesões se agravam e o tempo de recuperação é mais longo.

Locomoção

O motoboy Ermerson Nogueira, 31, faz parte desta estatística. Ele já sofreu quatro acidentes desde que passou a adotar a moto como principal meio de locomoção. O mais grave foi em 2012, quando Ermerson colidiu com um carro na Avenida Washington Soares, fraturou o pé e sofreu escoriações.

“Preciso da moto para trabalhar, pois é um transporte rápido e mais barato. Fiquei com medo e agora ando com muito mais cuidado. O problema é que tem motoristas que não respeitam as motos. É uma verdadeira guerra no trânsito aqui de Fortaleza”, relata o motociclista.

O diretor médico do IJF ressalta que acidentes de trânsito muitas vezes deixam graves sequelas. Nas motocicletas, as mais frequentes são deformidades, limitação ou perda do movimento do membro atingido e até a amputação, que é realizada quando a lesão é irreversível.

Estatística

Estudo realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre acidentes envolvendo motociclistas chama atenção pelo elevado índice de ocorrências. No levantamento estatístico realizado entre os meses de janeiro e setembro de 2014, a PRF constatou que número de vítimas cresceu 45% em relação ao igual período do ano passado.

Os acidentes mais graves costumam acontecer nas noites de sábado (21%) e domingo (19%), principalmente entre 20h e 23h. Os mortos são, em sua maioria, do sexo masculino e com idade entre 25 e 30 anos.

Consequentemente, o aumento das mortes ocasionaram um crescimento no pedido ao seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), indenização paga à vítimas de acidentes de trânsito.

De acordo com levantamento da Segurado Líder, que controla o benefício no Brasil, 799 pessoas receberam o auxílio pela morte de algum familiar vítima de acidente envolvendo motocicletas no Ceará. O número é referente apenas ao primeiro semestre de 2014. Segundo o relatório, foram 678 motoristas e 121 passageiros que tiveram a indenização solicitada. O valor da indenização por morte no trânsito é de R$ 13.479,48.

fonte DN

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