ESTELIONATO; Falsário mais procurado do DF é preso no Ceará


José Alberto Amado Melo, o ‘Beto’, 48; é, segundo a Polícia, o estelionatário mais procurado de Brasília


Vânia Mendes da Silva, 29, também foi detida na operação da DRF. Outra mulher está foragida

Um homem e uma mulher foram presos, durante uma operação da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Coin) e da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), na Cidade 2000, sob suspeita de estarem falsificando RGs, cartões bancários, contra-cheques, ingressos e alvarás de soltura. José Alberto Amado Melo, o ‘Beto’, 48; e Vânia Mendes da Silva, 29, são de Brasília e estão no Ceará há cerca de cinco meses. Segundo a Polícia, ele era procurado como o maior falsário do Distrito Federal.

Conforme o delegado titular da DRF, Raphael Villarinho, a Polícia chegou aos dois depois de uma sequência de prisões de pessoas com documentos falsificados. “Muitos integrantes das quadrilhas que prendemos usavam documentos falsos. Isso foi um fato que nos impressionou, pela quantidade, que era muito alta. Passamos a interrogá-los neste sentido, e acabamos chegando aos nomes dos suspeitos, que acabaram presos por nós”, declarou Villarinho.

Segundo ele, uma terceira pessoa – uma mulher que já foi identificada – participava do esquema criminoso. “Quando chegamos ao endereço onde eles agiam, ela não foi encontrada, mas nossos policiais estão diligenciando e acreditamos que ela seja presa, nos próximos dias”.

Os policiais encontraram uma impressora, uma máquina de perfurar papel e um cortador de papel no apartamento alugado pela dupla, na Rua Zuca Acioly. Além disto, foram apreendidos 19 cartões magnéticos, nove carteiras de identidade e alguns contra-cheques falsos. “Eles tinham um esquema muito bem montado que existia em Brasília e foi apenas transferido para o Ceará”, disse o titular da DRF.

Kits

O delegado contou que a quadrilha tinha uma peculiaridade, que fazia com que fossem preferidos pelos criminosos, que agem dando golpes no comércio: eles vendiam ‘kits’ de produtos falsos, incluindo RGs e cartões.

“Quando alguém encomendava o ‘kit’, ele ia até uma instituição financeira com um contra-cheque falso de valor alto, que era sempre detalhado como se fosse de um pensionista militar, e conseguia cartões com limites altos. Já de posse do cartão, ele confeccionava um RG com a foto do comprador e entregava todo o material, no nome de uma só pessoa”, contou o delegado.

O próprio suspeito confessou sua prática criminosa e disse ao delegado que “falsificava qualquer tipo de documento”. A Polícia está investigando se aqui no Ceará ele estava aplicando golpes no comércio, ou apenas vendendo os cartões.

“Estamos apurando as atividades deles por aqui. Por enquanto, o que podemos dizer é que o prejuízo que ele causou às instituições financeiras é incalculável. Um rombo enorme, que não sabemos nem onde termina, porque há indícios que ele agiu em outros Estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro”, disse o titular da DRF.

No Distrito Federal, ‘Beto’ foi preso em 2007, pela Polícia Federal, acusado de estelionato. Ele responde na Justiça ao procedimento referente a este caso, em liberdade. “Mesmo não tendo nenhum mandado de prisão, ele era o falsário mais procurado do Distrito Federal”, revelou Raphael Villarinho.

O casal preso foi conduzido para a DRF e autuado por estelionato, associação para o crime e falsificação de documento público. “Vamos continuar procurando pela terceira pessoa envolvida, que deverá ser autuada pelos mesmos delitos”, contou a titular da DRF.

A dupla foi capturada em um apartamento que havia alugado por somente um mês. “Eles se mudavam com frequência para que a Polícia não chegasse a eles com facilidade. Alugavam imóveis por pouco tempo para não deixarem pistas”, disse o presidente do inquérito.

Outro caso

A equipe da Delegacia Regional de Icó prendeu, na última quarta-feira, o jardineiro Melquíades Silva Moura, 24, foragido do Distrito Federal. Conforme a Polícia, ele teria assassinado a golpes de barra de ferro seu patrão e um funcionário da fazenda que trabalhava e fugido para o Ceará.

O esquema

1. Clientes

Os falsários eram procurados por outros criminosos para que criassem ‘personagens’, os chamados ‘kits completos’, para aplicação de golpes no comércio e outros crimes

2. O cartão e a conta

Quando alguém encomendava o ‘kit’, ele ia até uma instituição financeira com um contra-cheque falso de valor alto, que era sempre detalhado como se fosse de um pensionista militar, e conseguia cartões com limites altos

3. Os documentos e os golpes

Com a conta aberta e os cartões de débito e crédito em mãos, ele confeccionava um RG com a foto do comprador e entregava todo o material, no nome de uma só pessoa.

A partir daí, os estelionatários partiam para estourar os limites dos cartões e praticar outros crimes

Márcia Feitosa
Repórter

fonte diário do nordeste

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