QUEDA DE BRAÇO: Camilo e Eunício disputam o apoio de prefeitos do Interior


Os dois principais candidatos ao Governo do Estado tentam atrair lideranças do Interior para as campanhas

Responsável por mais de 73% dos votos no Ceará, que representam 4,6 milhões de eleitores, o Interior é palco de disputa acirrada entre os candidatos. Nestas eleições, prefeitos dos dez maiores colégios eleitorais do Estado, excluindo Fortaleza, estão divididos entre as candidaturas de Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT) ao Governo Estadual. Cinco apoiam o petista e cinco estão ao lado do peemedebista, alguns contra a orientação do partido ao qual são filiados.

O eleitorado do Ceará, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ultrapassa os 6,2 milhões de pessoas, sendo 1,6 milhão de eleitores de Fortaleza. Segundo município cearense com mais eleitores, Caucaia contabiliza mais de 203 mil pessoas aptas a votar. O prefeito da cidade, Washington Góis, defende o nome de Camilo Santana para ser governador. O gestor do município era filiado ao PRB, mas mudou para o PROS – mesmo partido de Cid Gomes – no ano passado.

Já o prefeito de Maracanaú, Firmo Camurça, é cabo eleitoral de Eunício Oliveira na região. Ele é do PR, legenda do candidato a vice-governador na chapa e ex-prefeito do município, Roberto Pessoa. De acordo com dados do TSE, mais de 152 mil eleitores cearenses são cadastrados para votar em Maracanaú.

Cariri

Apesar de ambos os postulantes serem naturais de municípios do Cariri, o senador Eunício Oliveira tem mais força política no local. Os prefeitos dos dois municípios mais importantes da região, Juazeiro do Norte e Crato, são filiados ao PMDB fazem campanha pró-Eunício.

Quarto colégio eleitoral do Estado, com 147 mil pessoas aptas a votar, Juazeiro do Norte é administrada por Raimundo Macedo ou Raimundão, como é conhecido. O peemedebista é aliado de Eunício. Sexta cidade com mais eleitores do Ceará, total de 87 mil, Crato é governada por um correligionário do candidato, o prefeito Ronaldo Gomes de Matos, o Ronaldo da Cerâmica.

Com um eleitorado intermediário entre as duas cidades do Cariri, Sobral é reduto eleitoral do governador Cid Gomes. O prefeito Veveu Arruda (PT) é aliado de longa data do governador Cid Gomes, além de ser esposo da postulante a vice-governadora da chapa, a ex-secretária da Educação Izolda Cela. O TSE registra 120 mil eleitores em Sobral.

Em seguida no ranking, com 85 mil eleitores, Itapipoca é comandada pelo prefeito Dagmauro Moreira (PT), apoiador da candidatura de Camilo Santana. O prefeito de Maranguape, oitavo maior colégio eleitoral do Ceará, também apoia a campanha do petista. Átila Câmara era filiado ao PSB, mas mudou para o PROS no ano passado.

Na região Centro-Sul do Estado, Iguatu concentra 70 mil eleitores. O prefeito da cidade, Aderilo Antunes, está ao lado de Eunício nestas eleições, apesar de o seu partido, o PRB, compor a coligação que apoia Camilo Santana. A assessoria de imprensa de Eunício e funcionários da prefeitura do município confirmaram o posicionamento de Aderilo, mas dirigentes do PRB alegaram que o gestor teria prometido ficar neutro no pleito.

Morada Nova é administrada por um prefeito do PMDB, Glauber Castro, que está pedindo votos para Eunício Oliveira. Já o prefeito de Quixadá, João Hudson, o João da Sapataria (PRB), apoia a campanha de Camilo, segundo o secretário geral do PRB do Ceará, Euler Barbosa.

Personalismo

O cientista político José Roberto Siebra, da Universidade Regional do Cariri (Urca), diz que os prefeitos são meios importantes de capitalizar votos devido ao personalismo que marca a política. “Há uma pessoalização da campanha e não partidarização. O processo se dá lamentavelmente em cima de personas”, aponta, ressaltando que alguns prefeitos ainda podem “virar a casaca” ao longo da campanha.

Siebra reforça que o eleitorado está apático. “Quando o prefeito é mais popular, aposta muito no contato mais direto da população, mas isso ainda não tem acontecido. Os comícios não estão funcionando”, relata. Sobre a falta de coerência ideológica das lideranças, acrescenta: “É um samba do crioulo doido. O desafio do eleitor é saber quem é quem no jogo da política”.

A professora Cristina Nobre, doutora em Sociologia, opina que a influência dos prefeitos ocorre principalmente no voto dos indecisos. “O eleitor em dúvida fica suscetível a essa influência, diferentemente do eleitor que tem vinculação com um partido ou ideologia”, destaca.

Para a pesquisadora, o uso da máquina pública é uma das linhas de frente da campanha nos municípios. “O vínculo maior é com terceirizados. Por meio da terceirização, o prefeito tem influência do conjunto de eleitores”, aponta, citando que muitos servidores se sentem obrigados a retribuir o emprego na prefeitura pedindo votos ao prefeito ou candidato apoiado pelo gestor.

Lorena Alves
Repórter

fonte DN

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